Coronavirus chega a Casa Branca nos EUA

Casa Branca vira foco da Covid-19 e preocupa funcionários

Número de infectados aumenta, incluindo pessoas próximas de Donald Trump, e obriga integrantes do governo a mudarem rotina de trabalho


Convidados e imprensa acompanham o Dia Nacional de Oração, na Casa Branca, durante discurso de Donald Trump (ao fundo) Foto: TOM BRENNER / REUTERS
Convidados e imprensa acompanham o Dia Nacional de Oração, na Casa Branca, durante discurso de Donald Trump (ao fundo) Foto: TOM BRENNER / REUTERS

WASHINGTON — O governo do presidente americano Donald Trump está correndo para tentar conter um surto de Covid-19 dentro da Casa Branca, e alguns funcionários mais graduados acreditam que a doença está se espalhando rapidamente pelos escritórios apertados que ocupam os três andares da Ala Oeste.

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Três altos integrantes do governo que lideram a operação do governo contra o coronavírus iniciaram um auto-isolamento de duas semanas depois que dois integrantes do quadro de funcionários da Casa Branca — Katie Miller, porta-voz do vice-presidente Mike Pence, e um dos assistentes pessoais do presidente Donald Trump — receberam a notícia de que seus testes para a doença deram positivo. Mas outros que tiveram contato com Miller e o assistente seguem trabalhando normalmente na Casa Branca. 


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— É assustador ir ao trabalho — afirmou Kevin Hassett, um dos principais assessores econômicos do presidente, em entrevista ao programa “Face The Nation”, da CBS, neste domingo. Hassett disse que usou máscara algumas vezes, mas reconheceu que “estaria mais seguro sentado em casa do que indo à Ala Oeste”.

Ele foi além.

— É um lugar pequeno e lotado. É, como se sabe, um pouco arriscado. Mas você precisa fazer isso porque tem que servir seu país.

A descoberta de dois funcionários infectados levou a Casa Branca a apertar seus procedimentos para combater o coronavírus, incluindo testes diários para pessoas mais velhas, uso de máscaras e maior monitoramento de quem entra no complexo.

O Coronavírus na Casa Branca



A preocupação sobre um surto do vírus na Casa Branca — e os testes frequentes e análise de infecções sendo feitos para contê-lo — ressalta o desafio para os americanos enquanto Trump pede que comecem a retornar aos seus postos de trabalho, apesar dos alertas de especialistas e responsáveis pela saúde pública de que o vírus continua a fazer estragos em comunidades pelo país.

A maior parte dos restaurantes, escritórios e lojas não possui capacidade para testar de forma regular seus funcionários e rastrear e impor quarentenas a todos os contatos de alguém que seja infectado. Na Casa Branca, todos estão sendo testados pelo menos todas as semanas, e pessoas que interagem com o presidente são submetidas ao exame de forma diária.

— Para se reunir com o presidente você precisa ter um teste negativo — disse Hassett na CNN, neste domingo.

Por outro lado, Trump ainda se recusa a seguir os conselhos do Centro de Controle de Doenças (CDC) para usar uma máscara quando se reunir com grupos de pessoas. Mas um funcionário do governo disse que o presidente ficou apavorado ao saber que seu assistente, que está entre as pessoas que servem sua comida, não estava usando máscara. Ele ainda ficou incomodado ao saber que Miller estava infectada e vem se irritando com pessoas que ficam muito perto dele, disse o funcionário.

Outros dois integrantes do governo dizem que, por enquanto, não há planos de manter Trump e Pence separados por medo de que os dois se vejam incapacitados pela Covid-19.

Isolamento

A preocupação sobre o avanço do vírus na Casa Branca colocou de lado, pelo menos temporariamente, três dos mais importantes membros da força-tarefa para o coronavírus: Robert Redfield, diretor do CDC; Stephen Hahn, comissário da Agência de Drogas e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês), o equivalente à Anvisa nos EUA; e Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas.



Redfield e Hahn anunciaram no fim de semana que entrariam em auto-isolamento de duas semanas após entrarem em contato com o integrante da equipe do presidente que está com a Covid-19. Os dois participaram de um encontro na Sala de Situações na semana passada em que Katie Miller estava presente. Ambos garantiram que seguem trabalhando de casa, e o senador republicano Lamar Alexander disse que participarão de uma audiência no Senado na terça-feira por videoconferência.

Fauci disse que ele deu início a uma “quarentena modificada” depois de ter o que chamou de “contato de baixo risco” com um funcionário infectado.

Stephen Miller, um dos conselheiros mais próximos do presidente e marido de Katie Miller, também não deve aparecer na Casa Branca por algum tempo, segundo pessoas próximas. Seu teste deu negativo na sexta-feira, depois que ela havia sido diagnosticada com a doença.

A maior parte dos testes na Ala Oeste está sendo feita com um equipamento dos Laboratórios Abbott, que detecta a presença do vírus em alguns minutos. Outros funcionários foram submetidos aos testes tradicionais, que usam longos cotonetes inseridos no nariz e levam algumas horas para serem processados.

Alguns memorandos aos que trabalham na Casa Branca encorajavam o “teletrabalho sempre que for possível”. Mas alguns setores foram além no fim de semana, pedindo que funcionários menos graduados do setor de imprensa trabalhem de casa, não importando se apresentem ou não sintomas. Na Ala Leste, funcionários que trabalham com a primeira-dama, Melania Trump, e com o presidente em assuntos pessoais estão usando máscaras.

Alguns integrantes do governo dizem que estão pedindo aos seus subordinados que fiquem em casa caso se sintam remotamente doentes, algo que vai contra os impulsos tradicionais de quem trabalha para o presidente, que é o de se manter trabalhando a qualquer custo.

Integrantes do Serviço Secreto que trabalham na Casa Branca estão usando máscaras de forma regular. E as pessoas que entram no complexo serão questionadas se apresentam alguns dos sintomas. Pessoas mais próximas a Trump, como Kayleigh McEnany, secretária de imprensa da Casa Branca, Mark Meadows, chefe de Gabinete, e Hope Hicks, conselheira, estão sendo testadas diariamente.

Fonte: Michael D. Shear e Maggie Haberman, do New York Times

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