Despencando: Ibovespa cai forte com tensão política.

Hoje é o quarto dia de queda seguido e após prisão de Temer do índice IBOVESPA caindo mais de 2%.

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O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, opera em queda, enquanto o dólar comercial sobe. Por volta das 14:00, a Bolsa caía 2,69%, a 94.510 pontos. No mesmo horário, a moeda norte-americana avançava 2,57%, a R$ 3,889 na venda.

Maia ameaça deixar a articulação da reforma da Previdência no Congresso após se irritar com post com críticas a ele de Carlos Bolsonaro. A reação também se reflete no par dólar/real, com a moeda americana se valorizando 2,57% a R$ 3,889.

O governo entregou ontem ao Congresso o projeto de reforma da Previdência dos militares, que prevê economia de R$ 10,45 bilhões em 10 anos, bem abaixo dos mais de R$ 90 bilhões que foram divulgados pela equipe econômica anteriormente. A diferença entre os valores, que se deve à incorporação no projeto de uma reestruturação de carreira e benefícios à categoria, gerou cautela entre investidores e mal-estar entre parlamentares.

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A redução de gastos prevista com os militares equivale, portanto, a 1% do R$ 1 trilhão que o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer economizar em dez anos com o conjunto da reforma da Previdência. E isso está gerando mal estar no cenário político e pessimismo na Bolsa de Valores.

A reforma não resolve o rombo do regime de aposentadorias e pensões dos militares. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, o déficit em 2018 ficou em R$ 43,9 bilhões.

Maia não gostou do compartilhamento de Carlos à resposta do ministro da Justiça, Sergio Moro, à sua decisão de não dar prioridade agora ao projeto de combate ao crime organizado e à corrupção na Câmara. O deputado carioca manifestou seu descontentamento ao ministro da Economia Paulo Guedes em uma ligação presenciada por líderes dos partidos do Centrão, afirmando que “se é para ser atacado por filhos e aliados de Bolsonaro, o governo não precisa de ajuda”.

A irritação de Rodrigo Maia se soma ao exterior preocupado com a desaceleração do crescimento da economia global, corroborada nesta sexta-feira com a divulgação de indicadores fracos para a atividade industrial e de serviços na Zona do Euro e o dado de atividade industrial nos EUA.

O texto acompanhava nota de Moro, divulgada na noite de quarta-feira, rebatendo ataques de Maia à sua insistência em apressar a tramitação do pacote.

“Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”, afirmou Moro. Além disso, no Instagram, Carlos lançou uma dúvida: “Por que o presidente da Câmara está tão nervoso?”.

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avisou na quinta-feira, 21, ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que deixará a articulação política pela reforma da Previdência. Maia tomou a decisão após ler mais um post do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), com fortes críticas a ele. Irritado, o deputado telefonou para Guedes e disse que, se é para ser atacado nas redes sociais por filhos e aliados de Bolsonaro, o governo não precisa de sua ajuda.


Maia é o fiador da reforma da Previdência na Câmara e, se quiser, pode prejudicar a tramitação do texto

Revista Exame

“Eu estou aqui para ajudar, mas o governo não quer ajuda”, disse o presidente da Câmara, segundo deputados que estavam ao seu lado no momento do telefonema. “Eu sou a boa política, e não a velha política. Mas se acham que sou a velha, estou fora.”

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Além disso, a fraca economia líquida fiscal com a reestruturação das carreiras e a reforma da Previdência dos militares também influenciam na desvalorização dos ativos brasileiros no Ibovespa. Assim como a perspectiva negativa em relação à tramitação da reforma da Previdência após a prisão de Temer, que pode colocar uma pausa nas negociações sobre a reforma e encarecer o apoio do MDB à pauta.

Enquanto isso no exterior, China e Estados Unidos planejam uma nova rodada de negociações para encerrar uma guerra comercial entre os dois países. Na véspera, o presidente norte-americano, Donald Trump, alertou que os EUA podem manter as tarifas sobre bens chineses por um “período substancial” para garantir que Pequim cumpra qualquer acordo comercial, ampliando as incertezas sobre as negociações.

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